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Quatorze anos se passaram, desde que o meu velho pai morreu. Com sua morte, os familiares dele afastaram-se de nós. Não eram muitos, mas cada um seguiu seu rumo. Entre eles, o meu tio Afonso (da foto).

Sexta-feira passada fui surpreendido por sua visita. Que alegria! Sua aparência me lembrou papai. Que saudade! Estava bem disposto, disse ter se tornado evangélico, que iria casar-se na igreja, mesmo tendo feito seu compromisso no cartório. Estava feliz, muito feliz! Aplicava 3 injeções de insulina por dia, tratava-se no INCOR, andava com um relojinho na cinta, para marcar quantos quilômetros andara, enfim, sentia-se realizado.

Contou-nos sobre o quanto o INCOR era bom: dava passagens de ônibus para quem não tinha. Ele não precisava, porque a identidade e a carteirinha de idoso eram suficientes para os ônibus que tomava. Contou-nos que agora tinha tocador de CD, e que guardava ainda muitos discos de vinil. Ele apreciava muitíssimo as músicas rurais e instrumentais.

Ofereci-me para fazer um CD com músicas que ele gostava, e coloquei também algumas gravações de 1974, com a voz do meu pai, da mãe dele, dos irmãos dele. Ele almoçou conosco, conversou, alegremente. E, quando entreguei-lhe o CD, quis pagar-me de qualquer jeito. Claro que não cobrei. Ele despediu-se, com um ósculo na face de cada um e seguiu o seu caminho.

Seguiu para nunca mais voltar.

Ele morreu.

Passou o final de semana feliz, dizendo de sua alegria em ter reencontrado os parentes do seu irmão, e tocando o CD várias vezes. No domingo, tomou o seu banho e colocou a sua bermuda. Sentou-se na cama e morreu.

Meu tio Afonso Paulino de Araújo partiu. Ontem ele foi sepultado.

Veio aqui só para despedir-se. Claro, ele não sabia. Mas foi tão diferente essa visita, tão inusitada, tão fora dos padrões! E tão agradável! Mais parecia um adeus derradeiro, de quem está partindo sem saber!

A nossa vida é tão passageira, tão surpreendente!

A nossa vida é curta! Diz a Escritura: “Pois todos os nossos dias vão passando na tua indignação; passamos os nossos anos como um conto que se conta.” (Sl 90:9)

O nosso tempo de peregrinação é muito pequeno: “Quanto ao homem, os seus dias são como a erva, como a flor do campo assim floresce.” (Sl 103:15)

As coisas que temos em nosso nome, que chamamos “nossas”, ficam, e não as levamos conosco. Foi essa a admoestação do Senhor, em sua parábola: “Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? “(Lc 12:20)

As coisas reais, que seguem conosco, não cabem no bolso. Cabem no coração. “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.” (Pv 4:23)

Por isso, se quisermos ser ricos, devemos trabalhar pelos bens atemporais, muito mais do que pelos da terra: “E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me.” (Mc 10:21)

Que bom que o meu tio Afonso deixou saudades. Afinal, é isso que ensina a bíblia: “E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.” (1Jo 2:17)

Que Deus nos dê a graça de sermos, igualmente, bênçãos em vida, e prontos para o grande encontro. “…Prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus.” (Am 4:12)

Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas de Osasco, SP
bnovas@uol.com.br
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Autor: Wagner Antonio de Araújo

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