NATAL (IN) DEPENDENTE

Paulo Santana poderia, sim, ter um feliz Natal. Ele confessou que neste ano seria impossível ter um Natal alegre diante do fato do seu Estado e do seu Grêmio estarem quebrados. Por certo, queria apenas chamar a atenção dos fatos. E Luis Fernando Veríssimo poderia, sim, encontrar alguma emoção na história do Natal. Sob o título “Crônica de Natal (de novo)”, ironizou a mesmice dos fatos natalinos, dizendo que tinha inveja dos cronistas novos porque estes podem escrever sobre o Natal sem remorso, com a despreocupação de fazer alguma coisa nova.

Será que o poder do Natal depende da situação de cada um? Será que a história do nascimento de Jesus é tão sem graça, aumentando a sua chatice a cada ano que passa?

Sem dúvida, será isto mesmo se o Natal for apenas o que se lê nas crônicas de gente desiludida e descrente, se for apenas o que se vê nas vitrines repletas de novidades em várias vezes no crediário, se for apenas o que se come nas mesas – algumas fartas e outras pobres, se for apenas o que se sente nas palavras mecânicas do “feliz Natal. Será isto mesmo, um Natal dependente,”se” não tiver mais nada. Mas, graças a Deus, Natal não é apenas isto. Aliás, nem é isto. Porque Natal sempre foi, é e será aquilo que disse o anjo aos pastores de Belém: “Estou aqui para trazer uma boa notícia a vocês, e ela será motivo de grande alegria também para todo o povo. Hoje, na cidade de Davi, nasceu o Salvador de vocês – o Messias, o Senhor” (Lucas 2.10).

No mesmo jornal destes dois cronistas do Natal dependente, uma notícia de capa dizia: a cocheira virou lar. No Jockey Clube de Rio Grande, um casal com dois filhos pequenos tinha transformado uma cocheira de cavalos em lugar para morar. No outro dia a notícia era bem diferente: pessoas de todo o Estado faziam doações, e assim esta gente pobre agora podia ter um feliz Natal. Um feliz Natal? Só mesmo se esta família de Rio Grande acreditasse naquela criança, enrolada em panos e deitada numa cocheira da estrebaria de Belém. Afinal, este Deus-menino era rico, mas se tornou pobre por nossa causa, a fim de que nos tornássemos ricos por meio da pobreza dele (2 Coríntios 8.9). E acreditem, uma riqueza que se pode ter mesmo morando numa cocheira. Que Deus nos livre de uma casa-cocheira e sempre nos dê uma casa-casa. Mas que Deus nos livre de um Natal-cocheira, isto é, só de presentes, só de comida, só de família reunida.

Na verdade, a cada ano que passa, Natal fica mais emocionante e poderoso. Porque Natal é salvação, e este mundo está cada vez mais perdido. E porque este Deus que veio pobre para salvar a humanidade, voltará rico, com todo o seu poder e glória. Assim, enquanto que as notícias ficam velhas neste mundo que pensa que é novo e moderno, enquanto que as coisas sofisticadas do Natal passado estão ultrapassadas e os presentes estragaram ou nem existem mais, as notícias do anjo de Belém renovam-se a cada manhã (Lamentações 3.23).

Ainda no mesmo jornal, muito eufórico, o presidente do CDL de Porto Alegre anuncia o melhor Natal dos últimos tempos. Isto porque “as ruas estão congestionadas, lojas cheias, sacolas em profusão”, evidenciando um “Natal com letras maiúsculas”. E conclui em seu artigo: “E que Deus nos abençoe com paz, fraternidade, segurança, saúde, previdência, estradas, três refeições diárias e todos os sonhos que nossas lideranças e que nós, cada brasileiro em sua casa, sonhamos para nós e nossas famílias”. Pois este é também o meu desejo para todos. Mas será que é suficiente para um Natal com letras maiúsculas? Não, porque ainda é uma Natal dependente, igual ao do Paulo Santana e do Veríssimo, que estão infelizes e entediados, mesmo com tudo o que eles têm.

Pois então, qual é este NATAL – com letras maiúsculas? É fácil descobrir. E ainda há tempo…

Autor: Pastor Marcos Schmidt – e-mail: marsch@terra.com.br

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