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Um texto da Bíblia que sempre me chamou atenção está em Jonas. Um livro do Antigo Testamento que tem apenas quatro capítulos, mas com uma história suficientemente grande para descrever o que se passa no coração do Criador. Jonas sente pena de uma planta que lhe tinha dado sombra mas que morre, vítima de um bicho. Isto depois de ficar muito desapontado por não ver destruída a cidade de Nívine – capital do grande império da Assíria, inimigo mortal de Israel. O livro tem um desfecho simples e direto: “Então o Deus Eterno disse: – Essa planta cresceu numa noite e na noite seguinte desapareceu. Você nada fez por ela nem a fez crescer, mas mesmo assim tem pena dela. Então eu, com muito mais razão, devo ter pena da grande cidade de Nínive, onde há mais de cento e vinte mil crianças inocentes…”.

Não vai passar muito tempo e as duzentas crianças de Beslan, Rússia, não estarão mais nos jornais. Ficarão no anonimato como Ali Ismail Abbas, o menino iraquiano que perdeu os braços e os pais, ou como centenas de outras crianças iraquianas, mutiladas ou mortas pela guerra (alias, parece que as crianças da Rússia e as do Iraque tem algo em comum, o petróleo). Na última década, por causa das guerras, mais de 2 milhões de crianças morreram, mais de 6 milhões ficaram inválidas ou gravemente feridas, 1 milhão ficaram órfãs e cerca de 20 milhões sem casa. Enquanto que o mundo gasta bilhões de dólares com armas, 600 milhões de crianças vivem em condições de pobreza absoluta, 12 milhões morrem a cada ano por doenças evitáveis (entre estas, 5 a cada minuto, vítimas da Aids).

Os órfãos e os pais que perderam seus filhos jamais vão esquecer, porém nós amanhã nem lembraremos mais das 200 crianças da Rússia. Hoje todos estamos chocados e aterrorizados. Abraçamos nossos filhos e sentimos um profundo alívio por estarem sãos e salvos. Mas quando as notícias saírem dos jornais, estaremos estressados como Jonas – com pena das plantas e nem aí com o sofrimento alheio.

Lamentavelmente, enquanto existir mundo, outras crianças vão morrer, ficarão mutiladas, sem braços, sem pais, com fome, doentes… Tudo por causa das guerras. E as crianças da Rússia? E o menino Ali? Quem? – Ah, sim! Coitadinhos! Que Deus tenha pena deles. Mas que bobagem estamos dizendo. Deus sempre vai ter pena destas e de todas as crianças. Mesmo que Jonas e nós esquecermos, Deus nunca esquece das crianças. Ele é o Pai de todas elas. Nós somos apenas os pais adotivos. Temos a guarda delas. E qualquer um que fizer alguma maldade contra elas vai ter que se ver com aquele que disse: “de fato foi a mim que fizeram” (Mateus 25.40), e que seria melhor que fosse jogado no mar com uma grande pedra amarrada no pescoço (Marcos 9.42).

Na verdade, os terroristas contra as crianças da Rússia estão por toda à parte. Até podem estar disfarçados em um de nós. Quando a Bíblia diz aos pais para não tratarem seus filhos de tal maneira que fiquem irritados (Efésios 6.4), está lembrando que eles “são uma herança do Deus Eterno” (Salmo 127.3) e que especialmente sobre isto um dia teremos que prestar contas ao Criador. O problema é que não reconhecemos Deus como o dono de tudo, e nos apossamos também dos filhos, transformando-os em meros instrumentos de nossas guerras pessoais e mesquinhas. Porque se os terroristas chechenos lutam por independência política e vão ao extremo, marido e mulher pouco estão se importando com seus filhos em suas revoluções por soberanias e independências matrimoniais. E quando o amor está esfriando por toda à parte (Mateus 24.12), então a guerra doméstica faz dos filhos as maiores vítimas – já que não têm outro lugar para se protegerem, ficando o local sagrado de refúgio em campo minado, que mutila e traumatiza mentes para o resto da vida (sem falar do ventre materno onde crianças indefesas são mortas – um terrorismo disfarçado da luta feminista). Por isto, coitadas das crianças que estão sendo assassinadas já no ventre, depois nos lares, e agora nas escolas.

“Deixem que as crianças venham a mim e não as proíbam (…) Então Jesus abraçou as crianças e as abençoou, pondo as mãos sobre elas” (Marcos 10.14,16). É um pedido e um gesto daquele que entregou a sua vida por elas. Uma ordem, já que ele é o Pai delas. Mas um pedido, uma súplica, pois elas estão agora em nossas mãos, mãos que também podem amaldiçoar. Que as 200 crianças da Rússia nunca sejam esquecidas por nós, porque Deus nunca vai esquecer delas.

Autor: Pastor Marcos Schmidt – e-mail: marsch@terra.com.br

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