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Intérpretes da Bíblia crêem que a guerra apressará o fim dos tempos

Trombetas do Apocalipse, gravura do século 11, Biblioteca Nacional da Espanha, em Madri:’O dia do julgamento final está para vir em breve, provavelmente no nosso tempo de vida; estejam preparados’

BILL BROADWAY
The Washington Post

Desde que Jesus disse que somente Deus sabe a hora e o dia da Segunda Vinda, pregadores e auto-intitulados fatalistas vêm tentando prever quando isso acontecerá – e assistir ao sol nascer sobre uma outra geração. Mesmo aqueles que condenam os que estabelecem datas quase sempre dizem: “O Dia do Julgamento Final está para vir em breve, provavelmente no nosso tempo de vida. Portanto, estejam preparados”.

Nas últimas semanas, os intérpretes de profecias vêm citando uma nova razão para acreditarem que o fim está próximo: a iminente guerra dos Estados Unidos com o Iraque. Têm surgido discussões ansiosas em sites de profecias na Web, em grupos de estudo da Bíblia, nas igrejas e em assembléias como a 20.ª Conferência Internacional de Profecia, realizada no mês passado em Tampa, na Flórida, sob o título Shaking of Nations: Living in Perilous Times (O Abalo das Nações: Vivendo em Tempos Perigosos).

Muitos enxergam provas do significado do Iraque em cenários do fim dos tempos descritos em passagens-chave do livro do Apocalipse. O Capítulo 16, que inclui a única menção ao Armagedon da Bíblia, traz uma referência direta ao Rio Eufrates, que corta o Iraque dos dias de hoje.

“O sexto anjo despejou seu alguidar sobre o grande Rio Eufrates e suas águas secaram para preparar o caminho para os reis vindos do Ocidente”, escreve João sobre um contêiner da ira de Deus esvaziado sobre a antiga terra da Babilônia, agora o Iraque. Os reis movimentarão seus exércitos através do Vale do Eufrates a caminho de Har Megiddo (Armagedon) no norte de Israel.

O Eufrates surge uma segunda vez com um dos sete anjos cujo clamor das trombetas avisam que o Juízo Final está próximo. “Liberte os quatro anjos que estão confinados no grande Rio Eufrates”, uma voz comanda o sexto anjo de Deus que, ao cumprir o comando, desencadeia agentes da morte que “vinham sendo reservados para esta hora, dia, mês e ano e foram soltos para aniquilar um terço da humanidade”.

Destruidor – Então, vem o gancho. No capítulo 9, versículo 11 – isso mesmo, 9:11 – João diz que o líder de um exército de gafanhotos soltos para combater a humanidade é denominado Abaddon em hebraico e Apollyon em grego. Ambas as palavras significam destruidor, um dos vários significados do nome Saddam.

“O Iraque se encaixa nisso como a mão na luva”, disse Irvin Baxter, fundador da revista Endtime (Fim dos Tempos) e pastor da Igreja Oak Park, de Richmond, Indiana, falando sobre o papel que acredita que o país desempenhará nos eventos do fim do mundo, se forças comandadas pelos americanos invadirem o país. Baxter, que vem estudando as profecias do velho e do novo testamentos a vida inteira, disse que as baixas serão tremendas, não apenas de combatentes iraquianos, mas também de povos dos países vizinhos atingidos por mísseis retaliatórios de destruição em massa e americanos que cairão vítimas de terroristas armados com armas nucleares portáteis.

E outros países aproveitarão a oportunidade para atender seus próprios interesses – a China tentando retomar Taiwan ou a Índia fazendo um ataque com máxima força à Caxemira –, o que levará à 3.ª Guerra Mundial, disse ele. O resultado, conclui Baxter, poderá ser um holocausto nuclear que acabará com a vida de 2 bilhões de pessoas, o “terço da humanidade” declarado na Revelação.

Irritação – Tais afirmações irritam Craig Hill, professor de Novo Testamento no Seminário Teológico Wesley, de Washington, e um dos muitos estudiosos da Bíblia que dizem que os intérpretes do final dos tempos distorcem as Escrituras para que se encaixem nos seus pontos de vista. Muitos afirmam ler a Bíblia “ao pé da letra”, mas na verdade tomam trechos de livros separados entre si por séculos, escritos sob diferentes circunstâncias, disse ele. Ezequiel, um dos mais populares textos sobre o fim do mundo, foi escrito no século 6 A.C. por um sacerdote judeu exilado na Babilônia que sonhou com o retorno dos judeus a Israel e a restauração do templo. O Apocalipse foi escrito 600 anos mais tarde, aproximadamente em 95 D.C., por um líder cristão exilado que encorajava as igrejas da Ásia Menor a perseverar sob as adversidades do jugo romano.

Porém, os intérpretes proféticos tomam versos de cada um desses livros e os juntam para criar uma leitura que justifique seus pontos de vista, disse Hill, autor de In God’s Time: The Bible and the Future (No Tempo de Deus: A Bíblia e o Futuro).

“Na tentativa de criar uma interpretação abrangente, eles não estão dando espaço para que a complexidade do testemunho bíblico se evidencie”, comentou ele. “A ironia é que, na busca deles pela precisão, os literalistas bíblicos são obrigados a interpretar erroneamente a Bíblia.”

Mais problemática é a visão fatalista mundial do pensamento apocalíptico, segundo Craig Hill. “Muitos dos obcecados pelo fim do mundo deixam de desfrutar a vida ou se dedicam a ajudar os outros numa tentativa de melhorar a sociedade”, disse ele.

Essas críticas não preocupam os milhões de americanos que foram tomados pela febre do final dos tempos muito antes que o 11 de setembro de 2001, os ataques terroristas e a explosão do ônibus espacial Columbia alimentassem ainda mais a especulação sobre como o mundo pode acabar.

Best-seller – Um dos maiores indicadores desse interesse tem sido o sucesso fenomenal da série “Left Behind” (Deixados para Trás), de autoria de Tim LaHaye e Jerry B. Jenkins. Desde 1995, quando foi lançado o primeiro livro, LaHaye e Jenkins venderam mais de 38 milhões de exemplares de dez romances situados durante o período do fim dos tempos, conhecido como a Grande Tribulação. O 11.º romance, a ser lançado em 18 de abril, intitula-se Armageddon e situa-se parcialmente em Bagdá.

“Os leitores me dizem que estão morrendo de vontade de saber quem vai sobreviver ao Armagedon para a Aparição Gloriosa”, disse Jenkins. “E eu não agüento esperar para ver o que eles vão pensar quando chegarem ao fim.”

O interesse por previsões aumenta em épocas de grande instabilidade, disse Mark Hitchcock, pastor da Igreja Faith Bible, de Edmonton, Oklahoma. “As pessoas querem saber o que vai acontecer, se existe um fim (para as turbulências), se há alguém no controle”.

Hitchcock é membro de um grupo de estudos sobre profecias comandado por LaHaye e geralmente apóia a seqüência de eventos na qual a história de “[TEXTO]Deixados para Trás[/TEXTO]” se baseia: o êxtase, a ascensão do Anticristo ao poder e os sete anos de “inferno sobre a Terra”, o Armagedon, e a volta de Jesus na Aparição Gloriosa – tudo ocorrendo antes do reinado de mil anos de Jesus sobre a Terra.

Ele disse que outros que acreditam que Jesus levará seus adeptos ao “êxtase” antes da Grande Tribulação estão convencidos de que o Anticristo governará o mundo a partir de uma Babilônia restaurada. É por isso que Hitchcock também acredita que a invasão do Iraque será um catalisador para os eventos dos fins dos tempos.

Segundo biógrafos e noticiários televisivos, Saddam Hussein imagina-se um moderno Nabucodonosor, o rei do século 6 a.C. que conquistou e escravizou os israelitas e trouxe grande prosperidade à sua terra. “E ele já começou a cumprir a profecia reconstruindo a antiga cidade da Babilônia”, disse Hitchcock. “Mas não estará por aqui para desfrutá-la.”

Para ele, uma vez que os Estados Unidos tirarem Saddam do caminho, as sanções serão suspensas, os poços de petróleo fluirão novamente à plena capacidade e o Iraque (Babilônia) recuperará seu poder, permitindo que o Anticristo forme um Exército para um ataque a Israel. Assim, o cenário estará formado para o Êxtase, o Armagedon, a Aparição Gloriosa e outras etapas.

Hitchcock diz apoiar a guerra porque o mundo será um lugar melhor sem Saddam Hussein e não porque – como disseram alguns aficionados da profecia – será um catalisador para os últimos dias.

Autor: http://www.estado.estadao.com.br/especiais/iraque/iraque3.html

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